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sábado, 5 de maio de 2012

Precisamos Falar Sobre o Kevin (2011)

Tilda Swinton, na melhor interpretação de sua vida, é a mãe de Kevin, um menino que, desde seu nascimento, atormenta sua vida. É difícil falar do filme sem dar O spoiler, mas eu faço o esforço. Se tu ler qualquer artigo/crítica/reportagem sobre o filme, provavelmente vai falar aquilo sobre o que o filme se arquiteta, e que não é mencionado nem no trailer nem na sinopse, mas que eu sabia antes de assisti-lo.

De um modo geral, o filme se trata da relação (doentia) entre Kevin e sua mãe, mesclado às incertezas do presente, de onde a protagonista, no livro homônimo, narra sua vida em forma de cartas a seu marido. A obra impacta visualmente, tem uma trilha sonora que eu amei e é de uma sensibilidade raramente vista em Hollywood.



Depois de assistir, fiquei com a impressão de que não gostei do ator que fazia Kevin  quando criança, ou era do personagem mesmo, e pensando bem nem da protagonista. Mas depois notei que o filme mexe e brinca muito com os sentimentos do espectador, e que os personagens não são tão simples de se classificar enquanto gostei/não gostei. O tempo foi passando e, como costumo falar com o Bruno, o filme "processou": foi ficando cada vez melhor na minha lembrança. À medida que eu ia vendo o trailer ou alguma cena separadamente, conversando ou mesmo lembrando de algumas falas ou imagens, o filme criava concisão e fazia mais sentido.

Saldo: realmente, é fantástico. Estava com altíssimas expectativas, acabei implicando mais com a velocidade, que queria que fosse mais como no (fantástico) trailer, mas é mais lenta, talvez o bastante para já ir interpretando os simbolismos de que as cenas são tão recheadas. Recomendo bastante!



NOTA: 



PS: Só reforço a explicação de que a categoria 1 pipoca é "anti-utópica", já que nenhum filme pode (nem quer) chegar nela. Assim: 1 pipoca significa que o filme é tão ruim que não conseguimos vê-lo até o final. Mas, se não vimos o filme todo, como podemos fazer um comentário aqui, uma crítica "de verdade"? Eu posso dizer que comecei a ver os primeiros 15 minutos de Se Beber Não Case e detestei, não continuei vendo. Daria 1 pipoca pro filme, mas sem usar argumentos que se sustentam, então não me sinto habilitado para dizer "Os Pipocas definitivamente não recomendam". ;D

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Biutiful (2010)


Nota:

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Bravura Indômita (2010)

True Grit é Coen, pra início de conversa. Tinha ouvido falar que os irmãos tinham abandonado o seu jeito em favor do western, mas não foi o que vi. Eu nunca ouvi falar do livro nem da versão de 1969 com o John Wayne, nem conheço muito do estilo western, mas o filme me cativou.


Então, o que é o toque Coen? Eu
percebi os seguintes traços: o humor negro que recheia o bolo, com uma violência explícita mas-nem-tanto; os cortes abruptos, os personagens super-bem-desenvolvidos e a sensação, ao final, de que o filme flui, de que não é um espetáculo já que, descompromissadamente, ele está ali pra divertir, sem apelar. Sendo mais específico, acho aquelas tomadas bem centralizadas só da frente da cabeça do personagem filmado bem autorais.

A ótima fotografia contrubui para, ao lado das músicas bem tradicionais, dar o tom de aventura à jornada dos três: LaBoeuf, um Matt Damon que só reconheci na 3ª tomada e não consegue fugir da pose de "garoto loiro de olhos azuis" apesar do bigode; Cogburn, o mercenário bêbado que, interpretado pelo infalível Jeff Bridges, rouba o filme para si; e Mattie Ross, que, aos 14 anos, procura vingar a morte de seu pai (A atriz que a interpreta,

por sinal, tem também 14 anos). Todos atrás do fora-da-lei Tom Chaney, atuado pelo impecável Josh Brolin.

Tudo no filme tem o clima de faroeste, desde os sotaques bem feitos ao minimalismo das cidades e pessoas.

O problema dele é o final. Não o desfecho em si, mas as últimas cenas, que beiram o ordinário, assim como as primeiras linhas, que também podem ser consideradas um erro (Como comparar com o início e fim de No Country For Old Men?)

Tirando isso, é um autêntico western dos Coen, que diverte, acima de tudo. Não vou dizer que éimperdível, mas que quero ter por perto e seguir revendo por um bom tempo. Segue o trailer, que por sinal é quase propaganda enganosa: o filme não tem dessas cenas tocantes, profundas, já vou avisando, o que não é ruim nem bom: uma opção dos diretores por um estilo mais direto.



Ah, e sobre o Cisne Negro: É um dos melhores filmes que vi na minha vida. Já tá no meu Top 10, vi duas vezes no cinema, 5 pipocas sem nenhuma vírgula. Obrigatório ao extremo, não me sinto pronto pra comentar aqui. Vá ver, sem ler nada sobre ele, com a garantia dos Pipocas (O Bruno também viu e amou, talvez ainda escreva algo aqui).

NOTA:

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

L'Illusionniste (2010)

É, desta vez não vai dar pra pôr a tradução brasileira ("O Mágico") no título do comentário. Não só porque é besta, mas porque realmente faz TODA a diferença pro entendimento do (final do) filme.


Fui vê-lo porque sabia que é do mesmo diretor de As Bicicletas de Belleville, o Sylvain Chomet, e porque concorreu a um Globo de Ouro (não que isso diga muita coisa mesmo). E o que encontrei foi bastante do que eu esperava, uma animação europeia. Muito europeia. Quieta, de
licada, beirando a chatice mas madura. É que, de tão poucas falas, ele não precisa de legendas. Na verdade, numa das últimas cenas, há algo escrito num bilhete que é essencial pra entender o filme. Podiam ter traduzido pelo menos isso. O filme só não entedia porque te faz rir em quase todas cenas e porque, afinal, a belíssima trilha sonora aliada ao estilo de desenho de que gosto muito agradam.

Tatischeff é um mágico ilusionista que enfrenta a decadência de seu ofício frente ao
s astros do Rock. Em Edimburgo, ele conhece Alice, uma jovem que acaba encantando. Na relação dos dois que está o filme, e aqui falo bem da crítica da Zero-Hora, do Marco Aurélio Canônico, publicada ontem, terça-feira dia 18. Concordo com ele, e se não fosse pela crítica não o teria entendido tão bem.

NOTA:

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Tropa de Elite 2 (2010)

Antes de ver o filme, tinha o seguinte me mente: Disseram que o 2° é melhor que o 1°;
Fala sobre a relação do Capitão Nascimento com seu filho; e tem o subtítulo meio estúpido "O Inimigo Agora é Outro"

Bom, o que pensei na hora foi que o filme focaria nas dificuldades enfrentadas por alguém que "arrisca diariamente sua vida para salvar a dos outros" em cuidar de um filho que mora com a mãe e seu novo marido. Aquela história super-clichê feito pra emocionar vovó.

Nada disto: Capitão Nascimento não perdeu a pose. A narração em 1ª pessoa continua sendo a marca, que eu adoro tanto, do filme.
Eu não diria que o 2° é melhor, mas que é muito mais bem feito, tecnicamente, não há duvida alguma. A continuação não ficou forçada, o que me preocupava muito, e o Matias está ainda mais cativante.


O filme brinca com o espectador, com o certo-errado. Explicita fatos que ninguém nunca, em nenhum meio, explicitou. Ele vai além da ficção, além do entretenimento. Compreensível e empolgante, um orgulho do cinema brasileiro.
O aspecto político - que podia muitíssimo facilmente ficar restrito ao personagem de Irandhir Santos, o professor de História - fez presença novamente. Fica o ótimo trailer, de incentivo.

O filme muito provavelmente seja 5 pipocas, mas no dia eu não tava lá muito a fim de ver um filme tão agitado. Não posso colocá-lo ao lado de Watchmen ou Milk, porque não representou tanto assim pra mim, por mais demais que é. Do mesmo jeito, é obrigatório a todo brasileiro.

NOTA:

domingo, 15 de agosto de 2010

Chico Xavier (2010)

Estava morrendo de vontade de ver este filme porque, de alguma maneira, fiquei com uma péssima visão dele, com a expextativa lá em baixo. Mas poxa, o filme brasileiro mais assistido EVER não pode ser tão ruim assim. Por isso, na última noite de domingo, paguei pra ver.


O que eu vi foi um ótimo filme, sem sombra de dúvida. Impliquei com os atores famosos da Globo que dão um ar novelístico? Bastante. Detestei o clima "2 Filhos de Francisco" de crianças maltratadas, madrastas cruéis e cenas escuras no interior 'humilde' de uma casa no interior de um Brasil de mais de um século? Horrores. Às vezes senti - e não é a 1ª vez que isso acontece quando vejo um filme nacional - que aquilo que estava na tela não era pra mim, que o jeito de contar aquela história parecia destinada à sei-lá-quem, com aquele irritante tom simplista, talvez para atingir todo o 'povo', meta que o filme atingiu perfeitamente com a ajuda de grandes nomes como o diretor Daniel Filho, o mesmo dos dois "Se Eu Fosse Você" e de "Primo Basílio", e dos atores Tony Ramos e Giovanna Antonelli. Eu estou começando a pegar nojo /odiar o Tony Ramos, então o fato de ele estar no filme já me incomoda, ainda mais desempenhando o importante papel de representar as pessoas que foram impactadas pelos 'poderes' de Chico, das famílias que estabeleceram contato com os que já se foram.

Mas mesmo assim, o filme me cativou. Me emocionei, me inspirei (muito) pra conhecer mais desse fantástico médium que psicografou uma tonelada de livros. As cenas de psicografia são todas magníficas, as cenas no estúdio traçam uma linha e um ritmo adequados, as atuações - apesar das caras conhecidas demais - ficaram superboas, a reconstrução de época, o sotaque de Minas Gerais, as acusações de charlatismo e de heresia pela Igreja... Tudo isso dão a essa obra ao mesmo tempo a dimensão do real e do fantástico, como foi de fato a vida de Chico Xavier.

NOTA:

Coração Louco (2009)

Ontem, revi em DVD esse grande filme de 2009 e resolvi fazer um comentário aqui no Pipocas. Ele papou 2 Oscars no início do ano: o de Melhor Canção para "The Weary Kind" e Melhor Ator para Jeff Bridges. Mas lembrei que infelizmente na cerimônia NENHUMA canção concorrente foi tocada. Definitivamente, foi a pior entrega de Oscars que já assisti. Mas enfim...



Coração Louco é um filme que trata da vida de um decadente astro da música country, conhecido por Bad Blake (ótimo nome) que atualmente faz shows em qualquer espelunca no sul nos EUA para se manter na estrada e ganhando uma grana. Jeff Bridges entra a fundo no papel desse cara, que é durão, mas ao mesmo tempo tem um lado mais humano, engraçado e amável, que ele mantém escondido com altas doses de whisky e cigarros.

Acho que o aspecto mais legal de Coração Louco é que ele mostra de um jeito bem fiel e real como é difícil ganhar a vida com a música e como é a vida na estrada. As apresentações de Bad Blake com bandas provisórias que ele conhece no mesmo dia dos shows são excepcionais. Interessante saber que o Jeff Bridges realmente aprendeu a cantar para fazer esse papel.

Maggie Gyllenhaal aguenta bem o papel coadjuvante, mas fica ofuscada por Bridges. O bom da atuação dela é a marcação de um estilo próprio meigo da personagem. A ponta do Collin Farrell também fez bastante sentido A trilha sonora é bem legal, por realmente fazer uma imersão na música country e ter várias músicas originais feitas para o filme.



O problema de Crazy Heart é que o roteiro acaba sendo muito limitado à música e aos romances de Jeff Bridges. Isso acaba tirando um pouco do senso de realidade que o filme parece querer passar. Mesmo os personagens sendo bastante profundos, faltou o senso de que a vida deles ia além da trama do filme, de histórias paralelas não contadas e todas aquelas coisas que deixam o filme mais verossímil. Por isso, 4 pipocas.

NOTA:

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Sobre Meninos e Lobos (2003)

Otimo filme que assisti numa tarde fria de segunda-feira. Só tinha ouvido elogios sobre ele, mas de algum jeito consegui não criar expectativas, talvez porque não tivesse a mínima ideia do que se tratasse.

O que sabia, porém, era que foi dirigido pelo mestre Clint Eastwood; atuado por Sean Penn, que venceu o Oscar daquele ano por Ator Principal e por Tim Robbins, que levou a estatueta por Ator Coadjuvante;

No elenco também entram Kevin Bacon (De The Woodsman), Laurence Fishburne (O Morpheus de Matrix), Laura Linney e Marcia Gay Harden (a mãe (biológica) do Cristopher McCandless em Into The Wild). Como o próprio diretor diz nos ótimos extras do DVD, não há efeitos especiais, são só atores contracenando. Diálogos e mais diálogos tendo por trás uma ótima trama com personagens consistentes, até por se tratar de uma adpatação.

Sobre a trama, reforço um conselho: Só leia nossas críticas se você ainda não se decidiu se vai/quer ver o filme. Se a propaganda, o trailer, o boca-a-boca ou o que fôr já te convenceu a ver o filme, leia nossos comentários só depois de o fazer. Pelo menos nós achamos que é impossível não dar um pequeno spoiler ao falar de um filme, no sentido de comprometer o leitor na hora de assistí-lo. Até é possível, mas daria num texto extremamente técnico, frio e superficial.

Enfim. É a história de como três homens superaram um traumático incidente que aconteceu a um deles quando tinha 11 anos, e seguiram vidas tão diferentes, um indo à prisão, outro virando policial e o traumatizado, transtornado. A culpa e angústia de abandonar um amigo, de matar uma pessoa, de ser negligente, de viver como se não tivesse vivido parece pesar no ombro dos personagens.

Ele começa num ritmo avassalador e não pàra por nenhum instante. Os movimentos de câmera deslizante e a paleta de cores acinzentada me fizeram lembrar de Gran Torino, do mesmo diretor.

Impliquei um pouco com a música, meio que tentando encher o silêncio; com algumas cenas meio clichê, herança dos filmes de faroeste que o diretor atuava; e com o final, que achei simplesmente estúpido. Quando digo final me refiro à ultima cena, às últimas falas, ao último quadro, à última música. O desfecho é genial, não podia ser melhor, mas as útimas falas ficam flutuando num final deslocado como se postas no filme só porque estavam no livro de Dennis Lehane no qual foi baseado o roteiro. Uma pena.

Belas 4 pipocas para um filme que possa vir a se tornar 5 se quem sabe eu rever num outro momento da minha vida ou se algum dia eu passar a amar filmes de detetive.

NOTA:

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Elefante (2003)

Vá preparado para assistir à visão de Gus Van Sant sobre a tragédia de Columbine (ainda que em nenhum momento do filme se diga o nome da escola onde este se passa).
Os personagens são estupidamente reais: identifiquei-me com pelo menos um traço de cada um. Partindo de um episódio batido e gasto, diversas reflexões podem ser feitas não só sobre a juventude de alta classe americana, mas sobre os atuais modos de fazer escola, sobre o bullying, sobre a adolescência, sobre, enfim, quase tudo que acontece no meu mundo.

A potência das cenas, a sensibilidade das músicas - Beethoven mais de uma vez - , a repetição de cenas... Gus tem tudo pra se tornar meu ídolo. Não podia ser diferente: Elephant trata, sobretudo, da diversidade. O diretor - homossexual - consegue abordar os problemas desta fase conturbada com uma naturalidade especial. Sem moralismos e sem preconceitos.


É tão bom exatamente porque é tão autoral: dá pra sentir que todos os apectos técnicos interagem em sintonia. O filme todo tem uma vibração clara e madura. É Gus Van Sant, portanto espere cenas longas - algumas vezes acho que ele até força a barra no timing. Tirando fora esses exageros poéticos, que dá ao espectador responsabilidade demais, é um filme de se tirar o chapéu pela abordagem inovadora e artística.

NOTA:

Passe Adiante