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quinta-feira, 17 de março de 2011

127 Horas (2010)


Achei, sem pestanejar, bem melhor do que Slumdog Millionaire. Vou passar a me ligar nos próximos trabalhos do Danny Boyle, já que acho que ele não fez nenhum filme fantástico anterior a esses dois (Talvez só Extermínio e Trainspotting valham a pena).

O filme é baseado na história - verídica - de um homem que fica preso num canyon nos E.U.A. por +- 5 dias. Importantíssimo lembrar que ele não exagera em nenhuma cena, nem na agonia, nem na apelação; Sim, porque é o retrato dos momentos de alucinação de um jovem à beira da morte, feitos com a mais refinada sensibilidade e com o ritmo adequado. A música é ótima, com excessão do final, que chega a quase destruir uma cena.

James Franco, (o Duende Verde) depois de Milk , aparece de novo com aquela barba super-sexy que senti falta no visual do Oscar. Quero chegar aos 33 anos como ele. *.* E o filme é Aron, seu personagem, e Aron e Aron... Esse é um daqueles filmes ótimos de se ver os extras e entender como
trabalhar com praticamente um só cenário e personagem, como James se portava com todos em volta dele intensivamente e como fizeram as vistas panorâmicas de cair o queixo.

Chorei, me contorci na cadeira, ri bastante... Com certeza vai entrar pros melhores do ano. Vá ver no cinema, onde as emoções são potencializadas.


NOTA:

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Cisne Negro (2010)

É noite de Oscar. Nada melhor do que postar a crítica de um dos indicados a melhor filme.
O filme dessa vez é Cisne Negro, de Darren Aronofsy, mesmo diretor de O Lutador, ótimo filme que deu a Mickey Rourke o Globo de Ouro de melhor ator em 2009.

Cisne Negro é um filme arrebatador. Te deixa preso durante todo o espetáculo. Não vá esperando um filme sobre ballet. É um filme sobre obsessão, loucura e perfeição.

Adoro a visão do Aronofsky. Ele retrata tudo de um jeito tão real, sem filtros ou outros efeitos. Isso dá um aspecto de tudo ser real. Mas como o filme tem boas pitadas de surrealismo, o efeito cru e câmera na mão fica ainda mais perturbador.



O elenco é também perfeito. Natalie Portman fez teve um desempenho de prêmio. Sempre gostei da atuação dela e torço para ela no Oscar. Vincent Cassel faz o diretor da peça e é o cara certo para o papel e Mila Kunis que faz a colega também está muito bem. Definitivamente Aronofsy manda bem em casting.

O ritmo do filme segue um pouco como uma peça de teatro. Começa lento e vai ficando mais rápido, sombrio e procupante. E o final é intenso e apoteótico, como no final de uma grande peça. É um grande filme que pode facilmente ganhar o melhor filme. E marca. Fiquei um tempo depois de assistir pensando em até que ponto a disciplina, a prática e a repetição são saudáveis e sobre a definição de perfeição. Realmente faz pensar.



Por mais estranho que pareça, um filme praticamente perfeito.

NOTA:

E falando de Oscar, vamos falar um pouco no nosso post pré-Oscar.

Na minha opinião a cerimônia vai ser como no ano passado. Não tão divertida. Mas realmente espero que seja melhor. Os apresentadores, James Franco e Anne Hathaway, são certamente bem carismáticos e acho que vão mandar bem.

Sobre os indicados, segue abaixo a minha lista de favoritos para as principais categorias e entre parênteses quem eu acho que deveria ganhar:

MELHOR FILME:
A Rede Social (A Rede Social)

MELHOR ATOR:
Colin Firth - Discurso do Rei (Javier Bardem - Biutiful)

MELHOR ATRIZ:
Natalie Portman - Cisne Negro (Natalie Portman)

MELHOR ATOR COADJUVANTE:
Geoffrey Rush - Discurso do Rei (?)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE:
Amy Adams - O Vencedor (Hailee Steinfeld - Bravura Indômita)

MELHOR DIRETOR:
Coen Brothers - Bravura Indômita (Coen Brothers!)

Acho que A Origem vai levar vários prêmios técnicos e deve levar ainda roteiro Original. Roteiro adaptado acho que fica com O Discurso do Rei.

PS.: O Rodrigo acredita que o melhor filme será O Discurso do Rei.

Boa cerimônia!!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O Discurso do Rei (2010)

Fui vê-lo numa sessão de Pré-Estreia no Moinhos, as 22 horas. Pegamos poltronas na 1ª fileira, e preferimos sentar nas escadas do que ficar com torcicolo
...tão cedo da noite.

Colin Firth, o favorito e merecedor ao Oscar de melhor ator, é o Duque de York, irmão do sucessor ao trono da Inglaterra. E ele é gago, bem gago. Helena Bonham Carter faz o papel de sua esposa, ótima como sempre.

Vendo o trailer, tive de cara um medo imenso de que o filme fosse demasiadamente voltado pro seu final: que desde o começo, se esperasse pela cena do discurso. Graças a Deus, ele não comete esse erro, e nem permanece sem direção; em última análise, é um filme de superação, de um homem que luta para se livrar de uma parte sua. As sessões com o Doutor Blandine e seus métodos nada convencionais mas totalmente aprováveis são a sustentação da obra, que no fim, trata da história de como este homem lutou contra a gagueira.

Um amigo comentou que achou as cenas que ilustram a realeza iguais a todos os outros "filmes de rei". Bom, confesso que não esbanjam inovação, mas analisá-la a partir do ponto de vista de alguém que sofre de um problema nitidamente psicológico, que tem suas raízes naquele universo impessoal e frio, isso sim é diferente.
Ele mantém um clima super agradável, com fotografia perfeita e música envolvente. Flui no seu ritmo, sendo ao mesmo tempo engraçado - sem gargalhadas, como o bom humor inglês - e tocante, sem incitar ao choro.

Enquanto produção, na minha opinião ele é melhor que A Rede Social, mas sei que muitos vão gostar mais do segundo por se identificar mais, por falar a língua da juventude. Se a Rede vencer, vai ser como em 2009, quando o Milionário venceu o Benjamin: O Oscar decidiu-se pelo mais "moderno", dinâmico e atual, e não pelo mais grandioso, como seria em 2010 se Avatar tivesse vencido.

NOTA:

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A Rede Social (2010)

Mais do que na hora, posto finalmente o comentário de The Social Network, vencedor do Globo de Ouro de melhor filme, drama. Me esforcei bastante pra não criar expectativas e não ouvir falar nada sobre o filme, o que valeu MUITO a pena.

Conseguiria Dadid Fincher, depois de Benjamin Button, fazer um filme sobre o Facebook? Se lembrarmos que em 1999 ele fez O Clube da Luta, dá pra acreditar na capacidade do diretor de fazer filmes tão diferentes. E não decepciona, trazendo um filme ultra-moderno, transmitindo sem muito brilho, pelo que parece, a realidade das universidades americanas da última década.

Mark Zuckerberg, muitíssimo bem interpretado por Jesse Eisenberg à princípio não me cativou. Não ria em nenhuma cena, ficava com aquele beiçinho idiota e não dava a mínima para as pessoas. Logo fui me deixando levar e comecei a adorar suas respostas no seu julgamento (Que acompanham o filme todo, cortando com as cenas narradas.). Justin Timberlake está muito bem, fazendo o papel do "empresário-maluco-mega-competitivo-com-ideias-ambiciosas".

E por aí vai o filme, brincando com o telespectador, ora sentido pena, ora raiva dos personagens. Sobre o ritmo: arriscado. Tive dificuldade de acompanhar algumas cenas, mesmo com legendas em p
ortuguês, e como diria Hitcock, "a pior coisa que um cineasta pode fazer é confundir o espectador". Ele não chega a ser confuso, mas exige muito, como Watchmen.

"Em o que ele vai mudar minha vida?" Sim, porque pra receber 5 pipocas, algo tem que acontecer aqui dentro. A simples contemplação não é o bastante. Pois digo que ele me fez gostar mais da Internet, a entender melhor os nerds e a respeitar mais o Direito.

Não sei se foi porque vi em qualidade de Blu-Ray, mas dá vontade de ver de novo, até pra pegar os diálogos melhor. Ele é contado com quase perfeição, a história é, além de verdadeira, digna de ser contada. Todos devem vê-lo. Dou cinco pipocas, apesar de que não poria num TOP 10 meu. Pelo menos enquanto eu não o revejo.

NOTA:

domingo, 19 de dezembro de 2010

Valsa com Bashir (2008)

Esse é o primeiro post que faço longe do Brasil. Não vi muitos filmes aqui na França nesse semestre e por isso resolvi fazer uma mini maratona de um filme por dia agora no fim de ano. Vou ver se isso me rende alguns posts aqui. Mas lá vai: Valsa com Bashir, ou na versão original em hebraico, Vals in Bashir.



É realmente sensacional. Eu estava a bastante tempo pra ver esse filme, que papou o Oscar de 2008 de melhor filme estrangeiro fácil fácil. É um documentário-animação todo estilizando, contando relatos sobre como foi a participação Israelense na guerra do Líbano nos anos 80.

Quando eu comecei a assistir, não sabia exatamente que era um documentário, mas quando os nomes dos personagens, ou na verdade pessoas reais, começaram a aparecer no canto da tela, passei a pensar nisso.

No filme, um diretor, no caso o real diretor do filme Ari Folman, a partir de uma conversa de bar com uma amigo que tem pesadelos terríveis sobre a guerra, se dá conta que não consegue mais se lembrar da época que servia no exército. A partir disso, ele, na época com 19 anos, sai atrás de antigos companheiros e pessoas que vivenciaram o mesmo, que estavam servindo na guerra. Com essas conversas, a sua memória vai voltando aos poucos e o horror da guerra, principal tema do filme, vai aparecendo em construções surreais dramaticamente orquestradas.



Algumas pessoas que foram entrevistadas decidiram pedir para atores representarem suas vozes e não mostrarem suas faces. Esse foi um dos motivos que levou o diretor a fazer uma animação. Acertou em cheio.

É um filme lindamente construído. Adorei o estilo da animação e a trilha sonora, mas para mim o principal mérito de Valsa com Bashir é o tema, que é visto de uma maneira muito diferente e em um cenário que não estamos acostumados a ver: o Oriente Médio.



E pra quem ficou desconfiado com o lance da animação: o filme foi Rated R nos EUA, ou seja proibido para menores de 18, por conter cenas de cexo e violência explícita. Não é MESMO um filme de crianças.

É realmente uma obra de arte. Recomendadíssimo. Pra mim, são 5 pipocas e não se fala mais nisso.

Nota:

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Ben-Hur (1959)

Vencedor de 11 Oscars (Só Titanic e Senhor dos Anéis 3 também conseguiram se igualar), diz-se ser o mais dispendioso filme de todos os tempos. Mas o que realmente importa
é que, sem dúvida alguma, é o mais grandioso.

Além das três horas e quarenta que dividi em três partes, dos dois DVDs, 100.000 figurinos, 3.000 figurantes e 300 sets de filmagem, ele trata de temas grandiosos. A amizade, a traição, o amor, a lealdade, a pátria, o poder, a religião, a verdade, a liberdade...

Dirigido por este tal de William Wyler, de quem eu nunca ouvi falar, o filme está num discreto (e até injusto) 146° lugar no IMDb. A história vem de um livro - clássico nos Estados Unidos - que já foi pro teatro (Com uma corrida de bigas, sim, em ciam do palco) e pro cinema em 1907 e 1926. Ou seja, Ben-Hur não é só um filmaço, é uma história que espero que seja refilmada, para que a geração século XXI conheça.


O percurso de Judah Ben-Hur(Charlton Heston), um rico comerciante judeu, é épico. Sua jornada pelo Mundo Ocidental do início do século I é homérica, de batalhas navais a corridas de biga,

Percebi também que em muitos quesitos o filme se assemelha à uma ópera: Os temas simples, os figurinos e cenários estonteantes, a música toda orquestrada e importante, as longas durações das cenas e a diferença bem marcada entre os diálogos solitários e as "cenas sociais", repletas de guerreiros ou plebeus ou escravos ou nobres.

A calma dos filmes de antigamente, a credibilidade vinda da falta de efeitos especiais e a ambição de uma super-produção fazem destes lendários personagem e trajeto um clássico obrigatório.

NOTA:

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Antes Que o Mundo Acabe (2010)

Filmaço! Numa noite chuvosa de domingo, me aventurei com minha amiga Lucy na sala do Santander Cultural para ver a sessão comentada pela diretora Ana Luiza Azevedo. E valeumuito a pena.

É um filme apaixonante, já que toca em pontos tão cotidianos e simples de maneira que é impossível não se deixar cativar, seja pelos personagens, seja pelo ar da pequena cidade do interior do RS chamada Pedra Grande. Eu, pelo menos, me vi em quase todos, em quase tudo, um pouco: no fotógrafo apaixonado, na irmã ingênua, no pai parceiro, no melhor amigo encrencado, na namorada disputada... Antes Que o Mundo Acabe junto a simplicidade da vida no interior e a complexidade de um adolescente de 16 anos, o Daniel.

Ele é uma adaptação de um livro de Marcelo Carneiro da Cunha. A trama toda se baseia -sutilmente- nos contrastes, no limite, na beirada do 'antes que o mundo acabe'. É um filme sobre diferenças, mas sem a mensagem pedagógica já tão senso-comum de "Respeite as diferenças". Não, as diferenças existem no plano casa/cidade/planeta, família/mundo lá fora. É se encontrando aos poucos com o pai biológico que vive do outro lado do mundo que o garoto da foto ao lado se encontra - afinal, os dois têm até o mesmo nome.

Fica o trailer pra quem precisa de mais pra se convencer a ver esta produção gauchíssima, sem dúvida alguma o meu filme brasileiro favorito: http://www.youtube.com/watch?v=wIAeG37DYw4


NOTA:

PARA QUEM VIU
Pelo que vi, Ana Luiza fez milagre: no livro não existe a personagem da irmã mais nova, que dá a versão cômica, distânciada e ingênua da história; 90 % do livro são cartas; A trama não se passa no interior - logo, não há visita a Porto Alegre. Difícil imaginar, não? O livro, na minha opinião, deve ser uma droga, baseada demais na relação do filho com o pai.

Outra questão que surgiu na sessão foi se Daniel estava de alguma maneira encarando a ida ao México como fuga da realidade que se mostrou não-tão-agradável, ou se ele queria mesmo era se encontrar com o pai (Cena que, aliás, graças a Deus não foi mostrada). O que a diretora disse e eu concordo plenamente é que aquela viagem pro México mostra exatamente que ele, enfim, aceitou a mudança (tanto que até a metade do filme ele reluta contra o pai biológico, mas depois que escreve o e-mail, aceita que não pode ser mais o pacato rapaz do interior.) E, como um certo rito de passagem, deixa de lado seu mundinho de Pedra Grande para conquistar o mundo, antes que... Enfim, tu sabe. =D

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